sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Vem por inteiro


Vem e chega.
Mas chega devagar.
Cuidado onde pisa.
Que é pra não se machucar.

Já vou logo avisando.
Que é pra depois não reclamar.

Tira o sapato e vem de mansinho.
Traz o amor.
Aos poucos, de levinho.
E não esquece o carinho.

Chega e faz de mim a sua amada.
Para que, então, em tempos de tempestade,
Meu coração lhe sirva de morada.

Vem que tem espaço.
Apesar de apertado.
O que mais cabe é o abraço.

Vem que te ofereço um café.
Quem sabe até um cafuné.
Ofereço também o meu amor.

O café, às vezes, é meio amargo.
Qual você quer?

Vem e chega até mim.

Mas se vier.
Vem pra ficar.
Pra cuidar.
Acrescentar.
Abraçar em seus braços.
Entrelaçar em sua vida.

Por que aqui já chegou muita gente que fez bagunça.
E não ajudou a limpar.

Têm alguns cacos ali.
Por isso eu avisei pra ter cuidado em não se machucar.

Têm algumas cicatrizes aqui.
Mas não se assuste, foram feridas, fazem parte de mim, o tempo foi capaz de curar.

Vem.
Eu não quero me machucar, tão pouco, te ferir.
Pode vir.

Vem se quiser.
Mas se vier.
Vem pra ficar.

Não pra ficar entre a porta.
Ou, do nada, partir.

Vem por inteiro.
Sem metade.
E sem medo!


Renata Galbine!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Peneirando Amigos


Esse texto foi escrito por mim há um tempo atrás e quando o escrevi, postei no Facebook.
Me lembro de muitas pessoas terem curtido, comentado e se identificado.
Porém, a página: "Mais Uma Vez O Silêncio" ainda não existia.
Hoje me deparei com essa escrita e achei conveniente posta-la, mesmo que novamente.
Além de pessoas que ainda não leram, terem a oportunidade de ler, é algo que venho pensando muito e, novamente, à respeito!

Sei que eu tenho bons amigos.
Reconheço.
Agradeço!

Por mais que, para alguns, eu possa parecer durona.
Talvez, pela minha personalidade forte e, algumas vezes, um pouco áspera e muito direta.
A verdade é que odeio me sentir só!

Mas esses últimos dias, parei pra pensar em alguns detalhes...

Sabe aqueles amigos que nos pegamos sempre tentando agradar?

Procurando.
Perguntando.
Agradando.
Se preocupando.
Nos aproximando.
Nos mostrando presentes para o que ele precisar.
Nos policiando para não errar.
Nos policiando para não pecar nem no excesso, nem na falta.

Puxando assuntos.
Sendo sempre o animado e engraçado.

Mas chega uma hora que isso pesa.
Que isso cansa.
Desgasta, sabe?!

E aí me bateu uma vontade de fazer diferente...

Renovar.
Reformular.
Reconhecer.
Mudar.

Enxergar que eu não preciso me doar tanto para determinadas pessoas.
Que não preciso, e nem devo, somente eu ir até elas.
Que não posso, somente, eu insistir em fazer por elas.
Me preocupar tanto.
Me doar tanto.

Perguntar.
Procurar saber.
Puxar assuntos.
Me fazer presente.
Sorridente sempre.

Elas também precisam vir até mim.
Isso é ser, verdadeiramente, amigo.
Não?!

Ir menos atrás.
Fazer menos questão.
Ser mais recíproca nas palavras e gestos de cada um, que, por tantas vezes, são tão vagos ou, simplesmente, nulos.

Têm algumas pessoas a minha volta que estão precisando disso.

É cômodo você sempre oferecer o que o outro quer receber.
Mas será que é aquilo que ele merece ter?

Estou um pouco cansada das minhas frases extensas e respostas monossilábicas.
Ou até mesmo mensagens enviadas e, ao mesmo tempo, ignoradas.
Um pouco cansada de sempre ser a que propõe pra sair, a que propõe de estar junto, a que tenta estar perto.
Cansada de mostrar preocupação e, realmente, me preocupar.
Me colocar no lugar, ser ouvinte, "psicóloga".
Ser AMIGA!

Estou cansada daqueles que mais se interessam em saber dos seus problemas e dores, do que tentar te ajudar, nem que seja com um olhar. Pois uma ajuda nem sempre são atos, mas, muitas das vezes, são gestos.

Acho que, às vezes, o nosso medo de estarmos sós, ou ficarmos sós, faz com que a gente force a barra em determinadas situações.
A verdade, é que não estou mais fazendo questão do meio termo, da meia verdade, da meia intensidade, da meia amizade.

Sou exigente e adoro isso.
Não aceito qualquer coisa porque não sou qualquer pessoa.
Sempre ofereço o melhor de mim.
Também quero poder receber o melhor que eu puder ter.

Quero termos completos.
Quero verdades inteiras.
Quero momentos intensos.
Quero pessoas sinceras.
Quero amizades verdadeiras.

Quero o disposto.
E não aceito o oposto.

Quero o presente.
E dispenso o ausente.

Quero o real.
O leal.
O sincero.

O que vem até mim quando precisa, mas que esteja disponível quando eu também precisar.
O que não se interessa por quais são os meus problemas, mas, sim, em me confortar e me escutar quando eu QUISER falar.
E se for pra ser diferente, daqui pra frente, prefiro deletar.

Porque vocês, sinceramente:
Não tem nada a me acrescentar!


Renata Galbine!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Recaídas


Recaídas existem.
É claro que existem.

Quem nunca viveu, sentiu, se deparou, encarou uma recaída?

E independente do tempo que passar.
Se foram 6 dias, 6 meses, 6 anos depois.
Ou até mesmo uma vida inteira!

Às vezes, a gente pensa que está bem.
Que tudo está indo bem.
Sob controle.

Pensa até que passou, acabou, zerou.
Mas se esquece de que não apagou.
Porque tudo o que é vivido, nunca é apagado.
Simplesmente, foi escrito.

E quando há sentimento.
Algum sentimento, por mais fundo que a gente guarde, esconda, coloque.
Se há sentimento, uma hora ele ascende, transcende e te mostra que ainda está lá.

E aí?!

E aí arde.
E como arde.
O coração bate tão depressa como se você tivesse voltado no tempo.

E então você percebe que:
Não adianta excluir do Facebook, bloquear no Whatsapp.
Ou ser excluído e bloqueado.
Mudar de número, de cidade, de País.

O coração, a mente e a alma continuam sendo as mesmas.

Se a vida te pregar a peça de um reencontro.
Se a mente te fizer voltar no tempo.
E você se der conta que não foi capaz de controlar seus pensamentos.
Você recai sobre os seus próprios sentimentos.

Aqueles que, talvez, nem você soubesse que existissem ainda.
Aqueles que você sabe como foi, o que sentiu, mas pensou que tivesse ido com o tempo.

Recaídas, pra mim, são de histórias vividas intensamente e profundamente.
São de histórias que nos entregamos e nos permitimos.
São de histórias que sentimos verdadeiramente.

Mas penso também que são de histórias mal acabadas, mal conversadas, mal finalizadas.

Ou será que estou enganada?!


Renata Galbine!
(imagem ilustrativa)

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

DANE-SE


Dane-se.
Dane-se mesmo.
Dane-se tudo.
Dane-se todos.

Dane-se o que as pessoas pensam sobre você, e não é.
Dane-se o que as pessoas apontam que você deveria fazer, mas não é o que você quer.

Dane-se tudo o que for em vão.
O que não for pra acrescentar, ensinar.
O que não for para fazer evoluir, amadurecer e fazer crescer.

Dane-se o que o outro acha que você deveria ser.
Dane-se o que o outro pensa que você deveria fazer.

Dane-se se o outro te compara.
Dane-se se o outro não te aprova.

Dane-se se não concorda com as suas escolhas.
Dane-se se, para o outro, as suas opções de vida, seriam outras.

Dane-se se você é ''isso'' e deveria ser ''aquilo''.
Dane-se se alguém te diminui.
Dane-se se, para o outro, você estudou de menos ou de mais.
Dane-se se o outro pensa que não será capaz.
Dane-se se o outro não te quer mais.
Dane-se se fala palavrão e isso incomoda.
Dane-se se você estiver fora de moda.
Dane-se se estiver fora do peso.
Dane-se se não escolheu ser Doutora nem outrora, nem agora, nem depois.

Dane-se.

D
A
N
E
-
S
E

Dane-se o que não te acrescenta.
Dane-se o que não te aceita do teu jeito.
Dane-se o que o outro pensa se não for como, verdadeiramente, é.
Dane-se quem te julga.
Dane-se quem não está satisfeito com o que você oferece, mesmo você dando o melhor de si.

Porque, sim.
Queira tudo aquilo que te acrescenta o que há de bom.

Porque, claro.
Queira que te aceite, não engolindo os seus defeitos, mas, com respeito, te ajudando a ser melhor.

Porque, óbvio.
Se o outro já tem um pensamento formado, não será você quem vai tentar mudá-lo.

Porque, sinceramente.
Não vale a pena perder energia com quem prefere te julgar, ao invés de melhor te conhecer.

Porque, claramente.
Se esforce para dar o melhor à todos aqueles que opta por ter a sua volta.
Mas se, para o outro, não estiver fazendo certo ou se não estiver sendo o suficiente, talvez, não seja você a pessoa certa, exata, pra se encaixar aquele contexto de vida, seja ele qual for.

Dane-se tudo o que não for pra te ajustar.
Dane-se tudo o que quiser te mudar e te fazer ser quem, de fato, não é.

Seja você.
Sempre você.

Cuidado para não se tornar marionete do outro.

Seja quem você nasceu pra ser.
Dane-se o que as pessoas pensam de você!


Renata Galbine!
(imagem ilustrativa)

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Dói em mim, não no outro.


"Qual é o seu problema?"
"O que você está sentindo?"
"Pelo o que você está passando?"

"É grave?"
"Tá doendo?"
"Quer desabafar?"
"Será que tem uma forma para que eu possa tentar te ajudar?"
"Tô aqui, tá?!"

Não.
Essa não é a versão real.
Essa é a versão que muitos de nós esperaríamos e gostaríamos de receber.
Mas, raramente, vamos ter.

Isso porque o "ser humano", raramente, consegue e é, de fato: Humano!

Quer saber?!
Que se dane você!
Suas dores e problemas.
.
- Eu quero vender.
Se for vendedor.

- Eu quero bater metas.
Se for explorador.

- Eu quero encher os meus shows.
Se for cantor.

- Eu quero vender ingressos.
Se for promotor.

- Eu posso ensinar.
Desde que você possa pagar.

- Eu tô ocupado. Essa semana tá corrida. A gente marca. Te ligo.
Aquele que se diz amigo.

Eu posso chamar, me aproximar, me lembrar.
Desde que você tenha algo a me acrescentar.
Mas que não sejam problemas.

Porque os problemas são nossos, sabe?!
E ninguém tá muito interessado neles.
Ou nenhum pouco.

Não se engane.
Nem sempre quem sorri e te abraça, é quem está e, acima disso:
Estará com você quando você precisar.

São poucos.
Tão poucos.
Bem poucos mesmo.

Às vezes, em alguns momentos, nenhum.
Acredite!

Mas aí você tem que ser forte o suficiente, respirar.
Não desistir.
Encarar.
E enfrentar.

Procurar uma saída e solução.
Por mais difícil que esteja e seja.
Por pior que possa estar se sentindo.

Não pode, e nem deve, contar com ninguém além de você mesmo.

Porque, sabe...

A dor.
Essa dor aí...

Ela é sua.
De mais ninguém!


Renata Galbine!